quarta-feira, 1 de novembro de 2017

COMO OS CATÓLICOS VEEM A MORTE E A ETERNIDADE?



O Credo apostólico, professado desde o início da santa Igreja, diz: “creio na ressurreição da carne e na vida eterna”. Os católicos creem com todos os demais cristãos (e muitos de outras religiões não-cristãs) que a vida não se extingue com a morte. A morte é “uma certeza”, apresentada na carta aos Romanos como o “salário do pecado”, mas como remédio redentor foi-nos dada “a graça de Deus”, que é “a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6,23). Uma pergunta bem comum entre as pessoas é: “O que acontece após a morte?” A Palavra de Deus, na carta aos Hebreus, esclarece que depois da morte vem o julgamento: “E como é fato que os homens devem morrer uma só vez, depois da morte vem um julgamento” (Hb 9, 27). A nossa fé diz que ao deixar este mundo vamos imediatamente a presença de Deus, diante do qual somos julgados e recebemos a consequência de nossa decisão em vida: os que praticaram o bem irão para a plenitude da Comunhão com Deus, enquanto os que abraçaram a iniquidade irão para o condenação eterna. Isto já acontece imediatamente após a morte. A fé no purgatório muitas vezes é mal entendida até mesmo entre os católicos. O purgatório não é um lugar, não é uma sala ou quarto de sofrimento. Purgatório significa “purificação”, ação de acrisolar. Tal ação se dar no exato momento do encontro com Deus, que é Verdade e que, como tal, nos mostrará a verdade e a mentira de nossos atos em vida: "A obra de cada um aparecerá. O dia (do julgamento) demonstrá-lo-á. Será descoberto pelo fogo; o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo." (1 Cor 3, 11-15). Tal fogo não se trata de modo algum de fogo material, mas do fogo do amor do coração de Deus, que purifica para salvar.
Mas quem pode ser salvo? Toda pessoa que acolhendo a Cristo como seu salvador perseverar nesta fé até o fim, ajudado pela graça dos Sacramentos (sobretudo o Batismo, a Confissão e a Eucaristia) e pela vivencia da Palavra na caridade. Deus tem um só desejo no coração; entenda-se: um desejo acima de qualquer outro, uma vez que para Ele tudo é realizável, tudo é possível. Esta é a vontade de Deus: "Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade." (1Tm 2,3). Se alguns homens se perdem não é a vontade de Deus. Deus não fez o inferno porque o inferno não é um lugar, mas a eterna separação de Deus, a maior angustia que se possa imaginar, a mais terrível frustração. A imagem do fogo usada inúmeras vezes na Bíblia Sagrada é símbolo de uma dor imensa, muito além da dor causada pelo fogo material. Poderíamos dizer que o fogo que purifica os justos – que vão para o Céu – é o amor do coração de Deus, já o “fogo do inferno” é o sofrimento irreversível da separação definitiva do Criador por vontade da criatura durante sua vida na terra.
Nós Católicos cremos também na Ressurreição da carne ou dos mortos na segunda vinda de Nosso Senhor: “A ressurreição de todos os mortos, «justos e pecadores» (At 24, 15), há de preceder o Juízo final. Será «a hora em que todos os que estão nos túmulos hão de ouvir a sua voz e sairão: os que tiverem praticado o bem, para uma ressurreição de vida, e os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de condenação» (Jo 5, 28-29). Então Cristo virá «na sua glória, com todos os seus anjos [...]. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. [...] Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna» (Mt 25, 31-33.46)” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1038). Quando nós católicos rezamos pelos que morreram, de modo algum queremos reverter a escolha que cada um vez em vida; rezamos porque cremos que os mortos estão vivos (Mt 22,31-32) e que nossas orações são um sinal de que cremos na misericórdia de Deus, que trabalha para a salvação de todos; rezamos porque sendo uma só Igreja, “Corpo de Cristo”, a morte não tem poder de quebrar a nossa comunhão em Cristo e com Cristo (Rm 8, 35-39).

Pe. José Lenilson de Morais – Pároco de São José de Mipibu

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