sábado, 1 de outubro de 2016

DISCURSO DE POSSE DO PADRE LENILSON


Excelentíssimo e Reverendíssimo Dom Jaime Vieira Rocha, ao Sr. minha comunhão e obediência filial, bem como a afetuosa gratidão de toda a Paróquia de Sant’Ana e São Joaquim.
Saudação fraterna, grata e respeitosa ao Pe. Edilson Nobre (Vigário Geral), ao Pe. Severino dos Ramos (Vigário Espiscopal da RegiãoSul), ao Pe. José Pereira Neto (Coordenador do XIII Zonal) e todos os meus irmãos padres e diáconos aqui presentes; de um modo muito especial, saudação de unidade, esperança e paz a meus irmãos mais próximos na missão que ora assumo: Pe. Rogério Barros e Pe. Marcondes Alexandre. E ainda, ao irmão e amigo Pe. Ajosenildo Nunes. Nele meu abraço aos estimados colegas de turma.
Permitam-me saudar ainda aos queridos religiosos e religiosas que atuam em nossa Paróquia: Filhos de Sant’Ana, Religiosas do Sagrado Coração e Irmãs da Divina Providencia; e também as Novas Comunidades de vida e aliança: Shalon, Boa Nova e Magnificat.Às nossas amadas famílias e amigos que vieram de muitas cidades, bem como as pessoas que representam e servem o Povo de Deus nas instituições públicas do nosso e de outros Municípios, nosso agradecimento pela presença e consideração.
Amados irmãos e irmãs,
Ressoa em meus ouvidos e coração a Palavra de Deus da Primeira Carta de São Pedro (5, 1-11) proclamada na liturgia desta Celebração: “Sede pastores do rebanho de Deus, confiado a vós; cuidai dele, não por coação, mas de coração generoso; não por torpe ganância, mas livremente; não como dominadores daqueles que vos foram confiados, mas antes, como modelos do rebanho”. Hoje tenho consciência da grave missão que me é confiada. Governar é tarefa difícil para quem não viveu, desesperadamente, correndo para fazer “carreira eclesiástica”. Servi quase a totalidade destes meus 11 anos de sacerdócio como simples vigário paroquial e nestes últimos quatro anos cooperei de coração sincero com o estimado e honrado Pe. Matias Soares. Foi ele, em primeiro lugar, que vendo nosso trabalho e consultando os Conselhos da Paróquia, viu que seria justo e natural que eu pudesse lhe suceder nesta missão.
Assumo hoje a guia pastoral desta amada paróquia “não como dominador,não por torpe ganância, mas livremente”. Contudo, hoje mais maduro que outrora, tenho consciência que o pior tipo de governo é aquele feito para agradar pessoas ou grupos. Quem pastoreia uma porção do Povo de Deus precisa ver o bem da coletividade sem esquecer a pessoa em particular quando esta está aberta a receber o remédio – por vezes amargo – da misericórdia de Deus. Quero deixar bem claro desde o início: que ninguém confunda paciência e simplicidade com imbecilidade!
Por seis anos – com o favor de Deus – estarei Pároco de toda a região deste Município e de todos os grupos, pastorais, movimentos e serviços que usem o nome de católico; dos que quiserem e dos que não quiserem também. Mas o farei sempre começando pelo diálogo sem emissários, sem dar ouvidos às “fofocas paroquianas” de uns ou de outros, pois tenho muito cuidado com os aplausos e elogios fáceis uma vez que já se repetiu aqui nestas terras a frase existencialista dos filósofos: “a boca que me louva é a mesma que me cospe, as mãos que me aplaudem são as mesmas que me apedrejam”.
“Revesti-vos todos de humildade no relacionamento mútuo, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes.  A nossa missão aqui em solo mipibuense será de continuidade. Não estou fundando nem irei encerrar as atividades da Paróquia de Sant’Ana e São Joaquim. É preciso respeitar a história, a memória e as conquistas de meus predecessores. Devemos reconhecer publicamente que nos últimos 6 anos a paróquia bebeu avidamente das fontes do Concílio Vaticano II, do documento de Aparecida e das constantes “provocações” do Papa Francisco. Não podemos, não queremos e não iremos recuar em nenhuma conquista, a saber: a paróquia presente nas periferias através dos seus 13 setores missionários; a paróquia em estado permanente de missão; a paróquia de portas abertas com horário diário para celebrações, confissões e atendimento aos fiéis; a paróquia preocupada com a defesa da dignidade do ser humano; a paróquia que denuncia, opina e sugere nas questões sociais e políticas do Município. Ressalto ainda que a casa paroquial também está de portas abertas para os bons paroquianos, ou seja, aqueles que amam a Igreja e lutam por ela. Ela continuará fechada para os “inimigos da igreja”, que às vezes estão dentro dela mesma e são os mais perigosos. Nossa casa é local para os padres rezarem, estudarem, prepararem as homílias e formações, para seu justo e merecido descanso e para a sadia convivência com as pessoas de bem, independente de seu status social.
Lançai sobre ele toda a vossa preocupação, pois é ele quem cuida de vós. Sede sóbrios e vigilantes”.Assumo esta Paróquia sem grandes preocupações, pois sei que Deus cuida de nós e também porque nossos Conselhos estão em pleno e efetivo funcionamento: O Conselho Missionário Pastoral Paroquial (CMPP) e o Conselho para Assuntos Econômicos e Administrativos (CAEP). Não tomarei nenhuma decisão relevante sem antes consultar os Conselhos conforme suas competências. Além disso, continuaremos uma COMUNIDADE de três sacerdotes. Ao meu bom irmão Pe. Rogério Barros – filho desta Terra e vigário mais antigo – compete por direito responder pela paróquia em minha ausência. Ao Pe. Marcondes Alexandre – sacerdote nas primícias e entusiasmo do Ministério – nossas mais sinceras boas vindas e convite a trabalharmos sempre em “comunhão e missão”. Podemos ser todos muito felizes na diferença se renunciarmos a projetos de “vaidades pessoais” para trabalharmos pelo projeto comum da Paróquia de Sant’Ana e São Joaquim. Tal projeto é seu Plano Missionário Pastoral – aprovado em assembléia em fevereiro deste ano – em plena sintonia com o Marco Referencial da Arquidiocese para o Quadriênio 2016-2019.

Nesta linha, convido vivamente as Comunidades Religiosas, as Novas Comunidades com casas na Paróquia, os grupos, pastorais, movimentos e serviços e todos os membros do Povo de Deus a nos irmanarmos como num só Corpo bem unido pelo bem da Igreja que é a justiça, a paz e salvação da família, do planeta – “casa comum” –  e da sociedade.
Permitam-me agora dirigir ainda uma palavra a algumas categorias de pessoas e instituições:
- Ao Abrigo Anízia Pessoa: O Abrigo Anízia pessoa é a maior obra de misericórdia de nossa Paróquia. Lá se pratica permanentemente pelo menos oito obras de misericórdia entre corporais e espirituais. Continuemos a amá-lo e a apoiá-lo. Gratidão imensa a Congregação da Irmãs da Divina Providência.
Ao Instituto Pio XII: Peço ao pais cristãos e católicos que no próximo ano matriculem seus filhos nesta grande obra educativa – sonho do Mons. Antônio Barros. Mas peço também a Direção e ao Corpo Docente que não foquem nas coisas negativas. Lembremos a “gloriosa história”, mas avancemos com esperança para o futuro. Para tudo há solução quando nos abrimos ao novo sem rejeitar os valores perenes. Vivamos o hoje..., este é nosso tempo, estes são nossos desafios. NÃO às lamentações e lamúrias de derrotados! Mas, SIM à conclusão heróica, se preciso for!
Aos Grupos e Movimentos antigos: Quero agradecer por terem sido protagonistas da história desta Paróquia nos seus 254 anos. Porém, vocês reclamam que faltam novos membros. Não será porque ainda não se abriram plenamente à missão? Entrem nos Setores Missionários, assumam as missões, estejam em plena comunhão com o Plano Pastoral e não lhes faltarão novas e entusiasmadas “vocações”.
Ao ECC, SEGUE-ME e EJAC – A maior parte do “sangue novo” para a vida pastoral da Paróquia vem destes Serviços. Quero os reconhecer, apoiar e incentivar mais ainda. Mas peço também que não façamos destes serviços uma espécie de “clubes fechados”. Abramo-nos ao que a Igreja nos pede hoje, sobretudo, à missão e à inserção na vida pastoral paroquial, que é a finalidade para as quais foram criados no sopro sempre renovador do Espírito Santo.
Aos Jovens – Repito e faço minhas as palavras de meu antecessor, Pe. Matias Soares: “invadam esta paróquia!”. Mas peço, rezem e rezem muito. Escutem nosso Senhor Jesus Cristo no silêncio diante do Santíssimo Sacramento e também na oração pessoal com a Palavra de Deus em suas casas e grupos. É que se agente não reza, a emoção e o entusiasmo do momento passam e, logo nos esquecemos do Primeiro Amor.
Aos Idosos – Vocês tem um lugar muito especial no meu coração. Vocês não são “peça descartada”. Muito pelo contrário, se não fossem vocês, nós não estaríamos aqui. Vocês são a base sólida da sociedade. Quero convidá-los a se sentirem também protagonistas da missão a seu modo e com suas forças limitadas pelo peso da idade e pelos sacrifícios em prol de suas famílias.
Aos Políticos e aos que assumem funções de serviço público – Vocês exercem uma “liturgia”, um serviço para o bem comum. Não maltratem, não humilhem, não persigam o nosso povo já tão sofrido. Sirvo-me da substanciosa Mensagem de nosso Arcebispo Dom Jaime por ocasião das Eleições: “O bom político é ético e corajoso, por ter senso de justiça, ser coerente entre o discurso e a prática; é honesto, transparente e verdadeiro antes, durante e depois da campanha política; é defensor da vida e da dignidade da pessoa humana em todas as suas manifestações, desde a concepção até a morte natural; é humano e popular sem ser populista. Promove a justiça social (...), tem sensibilidade ecológica. O bom político é administrador. Sabe delegar e descentralizar. Sabe escolher seus colaboradores diretos a partir da competência profissional determinando, com clareza, o que cabe a cada um realizar e cobrando resultados...”. Acrescento apenas que o bom político acata os anseios de sua paróquia e, se é católico, honra publicamente este nome. Não tem duas práticas: um discurso pela Igreja quando lhe convém e uma prática contra a Igreja, concretamente contra os anseios do povo de sua Paróquia. Agir assim não significa que é subserviente à religião, muito pelo contrário, isto significa capacidade de diálogo e de encontrar soluções. Nem a Igreja precisa ser submissa ao Estado nem o Estado ser inimigo da religião. Isto é democracia; isto é ser laico, não laicista.
Bem aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia”(Mt 5,7). Esta será a grande e principal motivação de nosso paroquiato. Tendo plena consciência, como diz o Apóstolo Paulo, que  (2 Cor 4, 7-8), só podemos acolher e propagar a misericórdia do Senhor. Não tenhamos medo da misericórdia! Ela não é contrária à justiça. Antes, a justiça social, a justiça pastoral, e inclusive a equilibrada justiça punitiva já é o começo da misericórdia. A misericórdia, porém, ultrapassa incalculavelmente a justiça, pois o amor de Deus por nós é livre, gratuito e ilimitado.
Finalmente, não foi por acaso que escolhemos o dia da Bíblia e de São Jerônimo para iniciarmos esta nova fase de nossa caminhada pastoral. Próximo ano estaremos celebrando os 255 anos de fundação desta Paróquia de Sant’Ana e São Joaquim. Anuncio que, de 22 de fevereiro de 2017 a 22 de fevereiro de 2018 celebraremos em todo o território paroquial, o I ANO BÍBLICO MISSIONÁRIO PAROQUIAL. Confiando ao Sagrado Coração de Jesus, à Maria Santíssima, Mãe da Divina Providência e aos Bem aventurados Mártires de Cunhaú e Uruaçu este tempo de graça e salvação, agradeço a todos pela presença, apoio e amizade sincera. Deus nos favoreça! Amém.
Pe. José Lenilson de Morais - Pároco
São José de Mipibu/RN, 30 de setembro de 2016

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