quinta-feira, 12 de novembro de 2015

IRRACIONALIDADE POLÍTICA



O Brasil vive mais uma das tantas outras crises políticas pelas quais já passou. Vivemos mergulhados em escândalos de corrupção. Infelizmente, os principais protagonistas não os medalhões que são eleitos pelo povo para representá-lo. É algo deplorável. Alienados politicamente, há cidadãos que entram em defesa dos seus elegidos. O que torna a situação ainda mais complicada, pois sinaliza e confirma que de fato o povo tem os representantes que merece. Quando acompanhamos a situação, somos tentados a pensar que existe uma irracionalidade política; ou seja, as motivações e condições que norteiam a política brasileira não são moldadas pela razão. Sem essa racionalidade, o que existe para ordenar e promover o bem comum torna-se canal de sustentação de interesses grupais e individuais. A democracia é colocada em cheque, não em seus meios, mas em seu fim. Ela é violentada e corrompida, literalmente.
À conjuntura política, mais recentemente, descobrimos que a crise econômica já estava prefigurada antes da campanha presidencial; contudo, não encarada com seriedade e honestidade. Não era uma marulinha. As consequências destes atos da política dos fins que justificam os meios estão aparecendo e mostrando que a crise política e econômica sinaliza a profunda crise ética e moral dos representantes públicos brasileiros. Ela não é nova. Todos sabemos desta triste realidade. Contudo, não podemos justificar uma situação que gera tantos males à sociedade em nome de ideologias que têm um projeto de poder e não de governo do povo brasileiro.
A situação, para piorar, tem que ser encarada tendo em vista as realidades da nossa velha política nas bases. Ela é perversa e alimenta muita gente medíocre e sem condições éticas para ser representante dos cidadãos. A política no nosso país passou a ser um meio de vida. Observemos! Hoje é um emprego rentável. Quem entra, é para fazer um investimento. Muitos transformam-se em profissionais da política. Vivem de trapassas, golpes, maquinações e perseguições. Usam os bens públicos para corromper e comprar as pessoas que se deixam subornar. Aqui existe um problema que é muito sério: Existem corruptos de todos os lados. Os corruptores e corrompidos. A razão cede lugar às paixões e interesses pessoais mais imediatos. A compra de votos, troca de favores, nepotismos, empregos fantasmas, desvios de dinheiro e várias outras ações criminosas e sórdidas. Corrupção não se justifica e sim se combate.
Na análise global, é notório que a crise econômica não é só no Brasil; todavia, a crise política, ornamentada por tantos desmandos nas empresas e órgãos públicos, agravou a situação caótica na qual está o nosso país. A governabilidade não é buscada pelo convencimento de que todos precisam estar unidos em favor do bem do país, mas na troca de ministérios e cargos concedidos aos partidos para conseguir apoios legislativos. Aqui está um dos problemas mais sórdidos, que inviabilizam uma racionalidade do nosso sistema de governo, e que perpassa as instancias federal, estadual e municipal, inviabilizando a tão necessária junção entre gestão econômica e política. Temos de fato um problema que não sabemos quando será resolvido no desenvolvimento da nossa história política e econômica.
Quem pode converter esta ordem sistêmica? O povo esclarecido e formado politicamente. Só ele com um nível elevado de educação séria e sem maquinações ideológicas oportunistas, que eleve o grau de discernimento de quem pode legitimar e qualificar a nova ordem. Claro que se quiser que seja democrática, ou por outro víeis que não seja confirmado politicamente. A irracionalidade da nossa política é consequência de uma estrutura de educação falida, que não leva o povo a pensar e ter consciência que é sujeito da sua história. Só quem pode limpar a sujeira política do nosso país é o povo que não aceita ser representado por tantos fracos, covardes e medíocres que estão envergonhando e alienando as mentes e consciências de quem compõe o Estado brasileiro. Assim o seja!



 Pe. Matias Soares Pároco de São José de Mipibu-RN e Vigário Episcopal Sul da Arquidiocese de Natal.

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