sábado, 18 de abril de 2015

O QUE O JOVEM ESPERA DA IGREJA?

Esta pergunta foi feita à jovem Karolinne Virgínio, 20 anos, estudante de Direito, agente da Pastoral da Comunicação, integrante do Ministério de Música Resgata-me e do Segue-me, da Paróquia de Sant'Ana e São Joaquim, em São José de Mipibu. Para Karol, como é conhecida, "Ser bem recebido nas celebrações, ou mesmo nas reuniões de grupos e pastorais, além de influenciar no interesse de continuar frequentando a Igreja, permite que o jovem encontre, naquele ambiente (Igreja), uma oportunidade de se expressar e também de firmar a sua fé."

A Ordem: O que você, enquanto jovem, espera da Igreja?
Karol: Acredito que a Igreja deva ser espaço acolhedor para toda pessoa, faça ela parte de qualquer faixa etária. Com o jovem não é diferente. Ser bem recebido nas celebrações, ou mesmo nas reuniões de grupos e pastorais, além de influenciar no interesse de continuar frequentando a Igreja, permite que o jovem encontre, naquele ambiente, uma oportunidade de se expressar e também de firmar a sua fé. De fato, nesta fase de amadurecimento físico e mental dos adolescentes e jovens adultos surgem inúmeras dúvidas sobre como desenvolveremos a nossa personalidade e os valores éticos que pretendemos seguir daqui pra frente. A Igreja Católica, como instituição milenar encarregada de transmitir os ensinamentos de Jesus Cristo, é base sólida na qual podemos nos apoiar na busca de solução para estes conflitos. É papel da Igreja atuar nos movimentos sociais em defesa da dignidade do ser humano e da vida, e a partir de suas obras abrir as portas para a participação da juventude que se inquieta com essas questões e ainda vê esperança na construção de um mundo melhor para se viver.

A Ordem: Quais os desafios de ser um jovem católico?
Karol: Muitos são os desafios que o jovem enfrenta quando decide viver a religião para além dos muros de sua Igreja. Nós, enquanto católicos, sofremos críticas constantes daqueles que não se dão ao trabalho de conhecer o empenho da evangelização feita dia após dia. Muitos são influenciados pelos próprios educadores que reproduzem as tristes, embora reais, injustiças cometidas pela Igreja durante a Idade Média, mas em contrapartida não são capazes de listar as diversas ações em que a Igreja lutou pelo bem da sociedade. Quando ingressamos na Universidade a situação ainda consegue piorar.  Professores tentam nos fazer engolir ideais ateístas supostamente bem fundamentados, muitas vezes desrespeitando e ridicularizando nossa crença. Os próprios estudantes, consumidos por esta concepção distorcida de liberdade, passam a tratar sua sexualidade de modo banal, desrespeitam o próprio corpo com o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e outros tipos de drogas. Ser um jovem católico, nessas circunstâncias, implica ser mal compreendido e também excluído de determinados círculos de amizade. É preciso, acima de tudo, muita convicção na fé que temos em Jesus Cristo, e maturidade para saber distinguir o que será benéfico para nossa vida.


A Ordem: Como você percebe a relação da Igreja com a juventude? Ela tem falado a linguagem do jovem?
Karol: Nos últimos anos a Igreja tem despertado para criação de novos métodos na transmissão da Palavra de Deus para os jovens. Seja por meio da evangelização feita pelas Novas Comunidades - como, por exemplo, a Canção Nova, e a Comunidade Shalom, que surgem como novas formas de vida evangélica – bem como pelos Encontros de Jovens com Cristo que abrem portas para a atividade Pastoral. É uma oportunidade principalmente para aqueles que não tiveram contato com a Igreja desde a infância, mas que desejam ter esta experiência. A alegria que transborda dos corações daqueles que já servem, contribui imensamente para que outros jovens também se interessem. A Jornada Mundial da Juventude que aconteceu no Brasil, em 2013, segundo o Comitê Organizador Local, atingiu o número de 3,7 milhões de pessoas durante a Missa de Envio (último ato central do evento), o que reflete o fortalecimento desta relação da Igreja com a Juventude. Sem dúvidas, o Papa Francisco com sua maneira direta e simples de comunicar a Boa Nova, tem alcançado os jovens fiéis. Por fim, acredito que ainda existam outros avanços que a Igreja pode dar neste elo com a juventude. Uma sugestão seria a maior divulgação das formas de vida religiosa existentes na Igreja, que a meu ver permanecem ainda muito desconhecidas aos olhos dos mais novos. Com esse contato teríamos a alegria de ver mais jovens descobrindo suas vocações.  

A Ordem: Que mensagem você poderia deixar para os demais jovens, que integram movimentos e grupos da Igreja, principalmente neste dia 30 de março, em que se comemora o Dia Mundial da Juventude?
Karol: Aos jovens que dão vida aos movimentos e pastorais da nossa Igreja, desejo que comemorem o Dia Mundial da Juventude seguindo os conselhos do Papa Francisco quando afirma que prefere uma Igreja acidentada, ferida e
enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar as próprias seguranças. Sendo assim, que este dia, seja marco de transição para todos aqueles grupos que ainda não despertaram para a necessidade de ir ao encontro de outros jovens que hoje passam por dificuldades. Deixo aqui também minha oração por todos aqueles que por vezes se sentem desestimulados a continuar na missão evangelizadora, seja por falta de apoio na família, ou pela falta de comprometimento dos demais leigos de sua paróquia, grupo ou pastoral. Sejamos sempre perseverantes e busquemos nossa força naquele que nos designou tal tarefa. No Antigo Testamento o Senhor fala a Josué: Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar. (Js 1: 9-10)








0 comentários:

Postar um comentário