terça-feira, 20 de janeiro de 2015

PE. LENILSON MORAIS VIVERÁ EXPERIÊNCIA DE VIDA MONÁSTICA

"O padre Lenilson Morais, vigário paroquial da Paróquia de Santana e São Joaquim, de São José de Mipibu, vai seguir no próximo dia 01 de fevereiro, para o Mosteiro da Ressurreição, na cidade de Ponta Grossa (PR), onde viverá uma experiência de vida monástica, durante dois anos. Nesta edição do jornal A Ordem, trazemos uma entrevista com o sacerdote, que explica o motivo da opção pela experiência e também o que espera desta nova vivência.

A Ordem: O que o levou a optar pela experiência da vida monástica?
Pe. Lenilson: O desejo da vida monástica não é algo novo. Sou de Passagem, uma cidade muito pacata do nosso estado, e nasci literalmente em contato com a natureza numa casa de fazenda por mãos de uma parteira. Já na minha entrada no Seminário de São Pedro, em 1994, comecei a ter curiosidade pela vida religiosa, especialmente pelas famílias contemplativas. Creio até que, se houvesse conhecido congregações anteriormente, tivesse feito o ingresso em uma delas, mas, sendo “tudo providência de Deus”, vim, graças ao testemunho e pregações do Pe. Xavier, para o amado Seminário Arquidiocesano, ao qual sou profundamente grato pela formação recebida. Quando Dom Heitor era nosso Arcebispo tive uma conversa com ele sobre este desejo. Com sua sabedoria, ele me aconselhou a terminar a teologia. Fui, então, enviado com outros colegas ao Colégio Internacional Maria Mater Ecclesiae, em Roma, onde pude completar o percurso da formação acadêmica. Voltei em 2005 para a Arquidiocese onde recebi a dom da Ordenação Presbiteral das mãos de Dom Matias. Assumi várias funções no seminário e em paróquias, mas sempre continuava a sentir o anseio da vida contemplativa. Tendo sido acompanhado pela Irmã Elisete, fiz um discernimento mais “pé no chão”, menos idealista, chegando no início deste ano, depois de visitar vários mosteiros, a tomar coragem para conversar com nosso dileto Arcebispo Dom Jaime, que, prontamente, entendeu, aceitou e abençoou este propósito.

A Ordem: Qual será o mosteiro no qual o senhor vai ingressar, e a partir de quando?
Pe. Lenilson: Como disse, visitei vários mosteiros do Nordeste e do Sul do País. Cada mosteiro tem suas peculiaridades. Não há dois mosteiros iguais, ainda que sejam da mesma família. Queria um mosteiro que unisse oração, trabalho manual, estudo e vida comunitária; estas dimensões fincadas na tradição monástica, mas abertas ao novo do Concílio Vaticano II. Confesso que encontrei tudo isto, com grande equilíbrio, no Mosteiro da Ressurreição, que fica na cidade de Ponta Grossa/Paraná. O site da Abadia (http://abadiadaressurreicao.org) mostra um pouco desta harmonia. Serei acolhido lá no dia 01 de fevereiro próximo.

A Ordem: O que se pode resumir do conceito de ter essa opção de vida?
Pe. Lenilson: Um monge americano, bem conhecido nos anos 70 e 80, Thomás Merton, escrevera numa de suas principais obras, intitulada em português “A vida silenciosa”, que explicar a vida monástica é, em essência, uma contradição porque o monge não precisar justificar sua opção, se esta é autenticamente uma escolha para “ser discípulo na escola do Senhor”. Diria, então, que os conceitos aqui não se encaixam. O que sei é que sinto há muitos anos o desejo de “viver só a Deus buscando”. E isto não é porque seja mais santo, não o sou mesmo! Na verdade, o principal “voto” do monge é a “conversatio morum”, a conversão dos costumes.

A Ordem: O que o senhor deseja ter como principal experiência?
Pe. Lenilson: Esta questão é muito boa, pois trata-se de uma “experiência”. Continuo sendo padre e o serei até a morte, pela graça de Deus. Toda experiência boa só nos enriquece! Tenho a permissão de nosso Arcebispo Dom Jaime para ficar um ano no Mosteiro, onde serei acompanhado pelos “anciãos” da Abadia. Depois de um ano, no máximo dois, poderei optar por fazer o caminho beneditino, ingressando no noviciado ou retornar à Arquidiocese. O principal de tudo isto é que poderei superar uma dúvida que me acompanha a anos. Se Deus me confirmar neste caminho, certamente permanecerei lá muito feliz, e, se Deus me chamar ao retorno nas “linhas de frente”, regressarei muito agradecido e em paz, pois sempre me senti amado por minha família, pela Igreja e pelas comunidades por onde passei.

A Ordem: Muitos jovens desejam também abraçar essa vocação. Qual o conselho que o senhor lhes daria nesse momento?
Pe. Lenilson: De fato, conheço muitos jovens que desejam ingressar na vida monástica, mas, infelizmente, temos ainda muita carência de mosteiros no nosso Nordeste. Ir a outras terras nem sempre é fácil por motivos econômicos, por laços familiares ou mesmo por preconceito, pois as pessoas, verdadeiramente, não entendem o que é a vida dentro de um mosteiro sério; muitos pensam que um mosteiro é como uma prisão dos tempos medievais, onde cada monge vive trancado numa sela da masmorra. Quando ouço as pessoas me questionarem “o que você vai fazer trancado num mosteiro, podendo ficar aqui fora ajudando as pessoas?”, não repondo, tenho vontade de rir, mas me lembro de uma expressão do Papa Francisco: “A igreja é como um hospital de campo”. Numa guerra há aqueles que vão ao “front” para lutar – estes são os missionários; numa guerra há também os que não aparecem muito, os enfermeiros, os auxiliares que cuidam dos feridos, que os confortam, que escrevem as cartas, há também os mensageiros – estes são os contemplativos. Dia e noite intercedem ao coração de Deus pela humanidade, mas também estão à disposição das pessoas que vão a estes “hospitais da fé” para “serem ouvidas” – algo, por vezes, negligenciado nas paróquias, devido ao ativismo – quer no sacramento da confissão, quer no aconselhamento espiritual. No final, percebemos que o sucesso da batalha só é possível com a cooperação de todos. Se um jovem sente este desejo, não há como explicar e também não há segredos. Crie coragem, ponha sua mochila nas costas, guarde o smartphone e vá passar uns dias no mosteiro. A experiência é a melhor explicação!"

Entrevista retirada do jornal A Ordem.

0 comentários:

Postar um comentário