segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

O NATAL PONTIFICA


Estamos para celebrar o Natal do Senhor. Para nós, Cristãos, é o acontecimento que confirma a historicidade do nosso Deus. Ele adentra o tempo e o espaço humanos para salvar o seu povo dos seus pecados (Mt 1,21). Eis outra afirmação sobre a finalidade da encarnação do verbo que se faz carne e vem habitar entre nós (Jo 1,14). A presença do Filho de Deus qualifica a história humana. A atuação de Deus a harmoniza.  Estamos no âmbito do mistério do Emanuel, que quer estar no meio de nós (Mt 1,23).

A História da Salvação é sempre pontifical. Deus cria pontes. Ele as faz necessárias. Como lembra-nos o Papa Francisco, devemos sê-las. Quando acolhemos seus desígnios pela fé, nos tornamos pontificais. Esta certeza nos é confirmada pela plenitude da Revelação em Jesus Cristo. Tudo Nele é ressignificado para nós. Sendo Ele a Plenitude, as demais formas de revelação são validadas. Esta inferência autentica a nossa instrumentalidade. Somos mediadores de Deus, na Única mediação. A pedagogia divina encaminha-nos para que acolhamos estes atos do Senhor. A genealogia de Jesus Cristo nos oferece uma convicção teológica e eclesial de que o Povo de Deus continua sendo gerado na história. Sabemos que a fé é condição irrenunciável desta construção, que é relacional. A conversão do coração humano ao projeto misericordioso do Senhor é o que formata este intercambio.

Quando há esta leitura teológica, o que é necessário é a existência. O que os filhos têm do acolhimento de Deus, agora deve ser comunicado aos semelhantes. Quem ama e acolhe a Encarnação de Deus, precisa encarná-La na vida dos demais. Por isso, dizemos que a história divina enobrece a humana. Por que Deus nos quer salvos do pecado? Porque este nos tira esta possibilidade pontifícia. A perdição humana consiste na falta de comunhão com Deus e o próximo que nos nega a possibilidade de ser geradores de vida e de felicidade. O que nos trás o Natal? A esperança de que tudo pode ser reabilitado. Deus deseja que isto aconteça. Esta espiritualidade natalina tem que nos fazer entender que a nossa mais bela atitude é acolher Jesus Cristo, o Filho de Deus em nossa vida e anunciá-Lo ao mundo. A confusão de fé na vida de quem é criado à imagem e semelhança de Deus atrofia a trajetória à qual somos chamados a percorrer.

Por fim, o que o Natal nos recorda é que como Deus, mediante o seu Filho, construiu ponte para nós; da mesma forma, devemos ir ao encontro dos outros para que cada vez mais Jesus nasça na vida de todos que querem, pela fé, dizer sim à ação de Deus na história que torna o humano divino e o divino humano. Assim o seja!



Pe. Matias Soares


Pároco de São José de Mipibu-RN

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