segunda-feira, 9 de junho de 2014

A VIDA EM CRISTO NO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA III

“Se já morremos com Cristo, cremos também que viveremos com ele...considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, no Cristo Jesus” (Rm 8, 8.11). Com estas palavras São Paulo fala da vida nova em Cristo. Sem dúvida, esta nova realidade dos batizados não nega que o pecado continua sempre “à espreita” e que é preciso “vigiar e orar” para não cair na tentação. Admitir, por outro lado, sua própria condição de pecador é reafirmar que a nossa salvação é dom gratuito de Deus, pois “onde, se multiplicou o pecado, a graça transbordou” (Rm 5,20). Por sua vez o evangelista João, na sua primeira carta, já nos adverte: “Se dissermos: ‘não temos pecados’, enganamo-nos e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele, que é fiel e justo, perdoará nossos pecados e nos purificará de toda injustiça (1Jo, 8-10). Há, portanto, uma necessidade de reconhecer nossa miséria para poder receber a misericórdia do Senhor. E é por isso que, a partir a instituição do próprio Cristo (cf. Jo 20, 19-23), a Igreja Católica ensina a necessidade do Sacramento da reconciliação, comumente chamado de Confissão.

Segundo o ensino da Tradição e do Magistério da Igreja, transmitido no Catecismo (nn. 1846-1869) há dois tipos de pecados: mortal (morte da caridade na alma e perda da amizade com Deus) e venial (enfraquecimento da caridade); ambos podem ser mais graves ou menos graves. O pecado mortal é um ato livre, consciente e realizado com vontade contra um dos preceitos de Deus, apresentados no Decálogo (Ex 20, 1-17) e colocados, por Jesus, em estreita relação e dependência com o verdadeiro e comprometido amor a Deus e ao próximo (Mt 22, 34-40). Se faltar um dos elementos essências do ato humano (consciência: saber o que está fazendo, vontade: querer realizar o ato, liberdade: não ser coagido) o pecado poderá ser venial ou até, dependendo de cada caso, nem se constituir num pecado e sim num problema emocional ou psíquico a ser tratado pela psicologia ou psiquiatria. O pecado é sempre um ato pessoal, contudo, podemos com nossos pecados cooperar com as “estruturas de pecado” ou “pecados sociais”, quando nos omitimos ou mesmo cooperamos com a difusão da mentira, das injustiças, da exploração do próximo ou da destruição da vida humana ou da natureza. Além disso, existem alguns pecados que geram outros pecados e por isso são chamados de “capitais” – encabeçam outros. São sete: orgulho, avareza, inveja, ira, impureza, gula, preguiça (n. 1866). O remédio para todo pecado é a misericórdia de Deus dada pelo sangue de Cristo como Ele mesmo revelou ao instituir o Sacramento da Eucaristia: “este é o meu sangue da nova aliança, que é derramado em favor de muitos (entenda-se todos), para remissão dos pecados” (Mt 26,28).


 
Pe. José Lenilson de Morais 
Professor do Curso de Teologia da FHAS 
Vigário Paroquial de São José de Mipibu

0 comentários:

Postar um comentário