terça-feira, 24 de junho de 2014

A VIDA EM CRISTO NO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA IV

      O ser humano não foi criado para viver isolado. “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2,18) indica a dimensão social da vida humana. Juntos, os homens e as mulheres, podem alcançar de modo melhor a realização de sua vocação e obter todos aqueles bens, materiais e espirituais, necessários a uma vida digna (Cf. CIC nn.1877-1917). Juntos os homens e as mulheres devem buscar o bem comum. “Por bem comum é preciso entender ‘o conjunto daquelas condições da vida social que permitem aos grupos e a cada um dos seus membros atingirem mais completa e diligentemente a própria perfeição’” (CIC n. 1906). O catecismo especifica ainda mais: o bem comum favorece levar uma vida verdadeiramente humana com alimento, vestuário, saúde, trabalho, educação, cultura, informação, direito de fundar um lar e praticar livremente a própria religião. Como o Cristo veio “salvar o homem inteiro e todos os homens”, a Igreja tem o direito e o dever manifestar publicamente seu parecer a respeito de todas as questões da vida humana, inclusive nas questões morais, éticas, políticas e de justiça social (Cf. CIC nn. 1928-1974). Contudo, todo processo de transformação social – para ser autenticamente humano e cristão – passa, necessariamente, pelo processo de conversão pessoal, através do encontro com Jesus Cristo no Espírito Santo, pois “a primeira obra da graça do Espírito Santo é a conversão que opera a justificação, segundo o anúncio de Jesus, no princípio do Evangelho: ‘convertei-vos, pois o Reino dos Céus está próximo’ (Mt 4,17) ”.

Na Sagrada Escritura, principalmente nos escritos dos Profetas, aparecem várias exortações à conversão, quase sempre como um retorno à Aliança do Sinai. Uma descrição bem acentuada do sentido da conversão nos vem do grande Isaías, no capítulo I do livro que traz o seu nome. É mais do que obvio que, para ele, a conversão não significa simplesmente mudar de grupo, assembleia, religião ou partido. Isaías denuncia até mesmo o culto religioso que não gerava transformação da vida social: a exterioridade do culto, as solenidades que maquiavam a iniquidade, a celebração que não “endireitava a direção". Daí o apelo urgente de Isaías: “Lavai-vos, purificai-vos, tirai da minha vista as injustiças que praticais. Parai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem, buscai o que é correto, defendei o direito do oprimido..." (Is 1, I6-17). João Batista, em sua missão de preparar o novo e definitivo “pacto" de Deus com a humanidade, exige também a conversão, mas não como o simples abandono da religião judaica; ele pede uma mudança de atitude para a adesão à nova condição espiritual: “produzi fruto que mostre a vossa conversão" (Mt 3, 8). Sem dúvida, a justificação não é mérito nosso, é pura graça de Deus, contudo, a ação de Deus em nós pede a nossa adesão livre na transformação do mundo, de tal modo que, possamos autenticamente assumir uma vida nova em Cristo, na santidade do seu Dom (Cf. CIC nn.1987-2016).
 

 
Pe. José Lenilson de Morais 
Professor do Curso de Teologia da FHAS 
Vigário Paroquial de São José de Mipibu

0 comentários:

Postar um comentário