quarta-feira, 4 de junho de 2014

A VIDA EM CRISTO NO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA II


A vida em Cristo é pautada pelas bem-aventuranças ensinadas por Cristo no início do sermão da montanha (Cf. Mt 5, 3-12). Estas respondem ao “desejo natural de felicidade”, que só pode ser encontrada, em plenitude, na comunhão com Deus (CIC 1716-1724). Este homem criado para a bem-aventurança eterna é sempre livre, porém a sua liberdade “alcança sua perfeição quando está ordenada para Deus”, deste modo ela deve ser vista como “uma força de crescimento e amadurecimento na verdade e na bondade”. Por nossa liberdade somos responsáveis pelo que fazemos e um ato – ato humano – pode se tornar bom ou mau dependendo das “fontes da moralidade”: o objeto escolhido, o fim visado (intenção) e as circunstâncias da ação. Por exemplo, para que a ação humana seja moralmente boa necessita de algo escolhido verdadeiramente bom, que a intenção seja realizar o maior bem possível e que as circunstâncias da ação sejam livres de coação interior ou exterior; neste sentido, o Catecismo é enfático: as circunstâncias da ação “contribuem para agravar ou diminuir a bondade ou maldade moral dos atos humanos”, “atenuar ou aumentar a responsabilidade do agente”, contudo, “não podem tornar boa ou justa uma ação má em si” (n. 1745). 
Na sua liberdade, o homem pode seguir a sua consciência moral (nn. 1776 -1789) e deixar-se ser conduzido pelo Espírito para uma vida equilibrada, que se verifica nas virtudes humanas e nas virtudes teologais (nn. 1803 – 1829). Por virtudes humanas ou cardeais se entende as “atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade que regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé” (n. 1804). São quatro: a prudência (“regra certa da ação”), a justiça (dar a cada um o que lhe é próprio), a fortaleza (segurança, firmeza e perseverança nas dificuldades) e a temperança (moderação no uso de todos os bens criados). Se as virtudes cardeais dependem do esforço humano, as virtudes teologais são, exclusivamente, dons de Deus: fé, esperança e caridade. Pela fé o homem é justificado e, gratuitamente, salvo, podendo viver na graça de Deus: “o justo viverá pela fé” (Rm 1, 17). A esperança é a força interior da graça de Deus que nos faz ter confiança inabalável no cumprimento das promessas do Salvador: “a esperança, com efeito, é para nós como uma ancora segura e firme. Ela penetra além da cortina do santuário, no qual Jesus entrou por nós, como precursor, feito sumo sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedec” (Hb 6, 19-20). Já a caridade é o cumprimento perfeito da lei, é o mais “excelente dom” (1 Cor 13), sem ela a fé é morta (Tg 2, 26) e não se recebe a salvação eterna no dia do Juízo final (Cf, Mt 25, 31-46) pois a verdadeira fé “age pelo amor” (Gl 5,6).




Pe. José Lenilson de Morais 
Professor do Curso de Teologia da FHAS 
Vigário Paroquial de São José de Mipibu

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