segunda-feira, 26 de maio de 2014

A VIDA EM CRISTO NO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA I

A celebração do Mistério Cristão leva o crente, necessariamente, a renovação de sua vida interior e exterior em Cristo Jesus, “referência primeira e última” de toda catequese. Entremos na TERCEIRA PARTE do Catecismo da Igreja Católica intitulada “A vida em Cristo”. Esta parte está composta de duas grandes seções: 1) A vocação do homem: a vida no espírito; 2) os dez mandamentos. Hoje abordaremos um artigo da Primeira Sessão. Trataremos, portanto, da “Dignidade da pessoa humana”.

Do ponto de vista teológico, a dignidade da pessoa humana encontra seu fundamento na diferenciação do homem – aqui o termo homem sempre indicará a pessoa humana – em relação a todos os demais seres vivos, no sentido de que, só ele é “imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26). Desde o século II esta compreensão se firmou na doutrina da Igreja, graças a contribuição de Santo Irineu, o qual distinguia a “imagem” (ser dotado de inteligência, vontade e liberdade) da “semelhança” (receber em dom o Espírito de Deus). O Catecismo, nos números 1701 à 1709, trata, com clareza, deste tema. Um destaque o texto dá a centralidade da pessoa de Cristo quando cita o n. 22 da Constituição Gaudium et Spes do Concílio Vaticano II: “Novo Adão, na mesma revelação do mistério do Pai e do seu amor, Cristo manifesta plenamente o homem ao próprio homem e lhe desvenda sua altíssima vocação”. Muito embora o ser humano tenha sido criado em altíssima dignidade, o pecado original limitou sua inteligência, vontade e liberdade e retirou a sua semelhança com Deus, o Espírito Santo; daí a necessidade do “Novo Homem”, Cristo Jesus, para devolver, em grau elevado, a dignidade a toda pessoa humana, não só aos cristãos. Assim expõe o Catecismo: “Dotado de alma ‘espiritual e imortal’, a pessoa humana é a ‘única criatura na terra que Deus quis por si mesma’. Desde sua concepção, é destinada à bem-aventurança eterna.” (n. 1703). Isto significa uma mudança ou um avanço em relação a uma concepção da criação do homem “apenas para servir a Deus” como se ele precisasse de nós. Aqui se destaca o “transbordar” do amor de Deus que, querendo o homem “por si mesmo”, o faz participante de sua eterna felicidade, reconquistada pelo mistério e ministério pascal de seu Filho e Senhor nosso Jesus Cristo. 

Tal dignidade imprime no interior do homem de toda e qualquer cultura uma “voz”, normalmente chamada de “consciência”, que o impele a “fazer o bem e evitar o mal”, de tal modo que, independentemente da religião ou cultura, todo homem tem em si os princípios que indicam o caminho de uma vida moralmente reta. Sem dúvida, a Revelação cristã, com a suprema lei do Amor, aprimora a consciência de todo aquele que a ela se abre de coração sincero. Contudo, a dignidade da pessoa humana não é algo exclusivo dos que creem. Todo homem, que goze de sã consciência, sabe distinguir – ainda que superficialmente – aquilo que é nobre, justo e belo daquilo que desfigura e destrói a si mesmo ou a seus semelhantes.



Pe. José Lenilson de Morais 
Professor do Curso de Teologia da FHAS 
Vigário Paroquial de São José de Mipibu

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